Pesquisa revela que gaúchos consomem mais sorvete que a média nacional, com 11,18 litros por ano

Celebrado neste dia 23 de setembro, o Dia Nacional do Sorvete ganha um raio-X inédito sobre os novos hábitos de consumo do brasileiro. Promovido pela Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (ABRASORVETE) e conduzido pela Empresa Júnior da Fundação Getúlio Vargas (EJFGV), o levantamento ouviu 2.500 pessoas em todo o país e mapeou como transformações na saúde, na economia e no comportamento estão sacudindo um dos mercados mais tradicionais do Brasil. O estudo aponta que o consumo per capita de sorvete no país alcançou 8,68 litros ao ano, registrando um avanço de 13% na comparação com os 7,7 litros apurados há dois anos pela ABRASORVETE.

No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais expressivo. O levantamento realizado pela ABRASORVETE, com investimento para a pesquisa no Estado subsidiado pela Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis e Afins (AGAGEL), demonstra um consumo per capita de 11,18 litros de sorvete por ano entre os gaúchos, 29% acima dos 8,68 litros registrados na média nacional. O estudo também evidencia características próprias do mercado estadual, como a forte concentração de ingestão nos meses mais quentes do ano: a frequência média semanal chega a 3,95 ocorrências no verão, enquanto cai para 0,65 no inverno.

Os dados apontam ainda para um consumidor gaúcho que nem sempre chega ao ponto de venda com a compra planejada: 49% afirmaram que haviam comprado sorvete especificamente, enquanto 48,4% fizeram a escolha já no estabelecimento, por diferentes motivos. O varejo alimentar também ocupa espaço relevante nas compras: supermercados e hipermercados representam 40,7% das escolhas, enquanto sorveterias e gelaterias aparecem com 39,3%.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a sensibilidade do consumidor gaúcho às mudanças de preço. Em um cenário de aumento significativo, 48,7% afirmam que reduziriam a frequência de compra, enquanto 30,3% optariam por uma marca mais barata. Ao mesmo tempo, há espaço para inovação: diante de versões funcionais, como produtos ricos em proteína, zero açúcar ou com fibras, 45,7% experimentariam sem trocar o produto atual e 41% passariam a consumir esse tipo de sorvete no lugar do que consomem atualmente. Os dados indicam que a categoria tem espaço para explorar novas propostas, embora o consumo no Estado permaneça fortemente concentrado nos meses mais quentes.

Segundo Márcio Favaro, presidente da ABRASORVETE, os dados refletem um momento de virada e maturidade para a indústria de gelados comestíveis no país: “O mercado de sorvetes no Brasil está passando por uma verdadeira revolução guiada pela evolução do perfil do consumidor. Vemos hoje uma busca muito mais clara por valor e qualidade do que por quantidade. As pessoas não querem deixar de tomar sorvete, mas estão redefinindo como, quando e por que consomem, seja buscando porções menores e com apelos funcionais, mantendo a lealdade às suas marcas preferidas ou exigindo experiências de alto sabor e naturalidade. Esse estudo nos dá a radiografia exata para guiar o futuro do setor e antecipar as grandes tendências no país”.

Na avaliação de Marcelo Melatti, presidente da AGAGEL, o levantamento representa um avanço importante para a indústria gaúcha ao permitir, pela primeira vez, uma leitura específica sobre o comportamento do consumidor no Estado. Para ele, os resultados reforçam a importância de a indústria estar atenta à sazonalidade e aproveitar o início da primavera e o Dia Nacional do Sorvete como marco para o período de maior movimento nas vendas. Melatti destaca ainda que os próximos meses são determinantes para o desempenho do setor ao longo do ano, tornando o planejamento e a preparação para a temporada de maior consumo fatores essenciais para a indústria gaúcha.

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