A cadeia produtiva do sorvete está concentrada no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Realizado pela Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis (Agagel), o evento reúne mais de 500 pessoas, que hoje (2) e amanhã (3) participam da Jornada do Sorvete. Com palestras e negociações, a programação explora o tema “Experiências, Networking, Business & Sorvete, tchê”, oferecendo ao público informações atualizadas para melhorar os resultados das empresas, desde a fabricação até a comercialização. “Esse é um momento muito importante para nossa entidade. O objetivo é que aproveitemos ao máximo para levar todas as novidades para as organizações, já pensando na temporada de verão e no que vem pela frente”, destacou o presidente, Marcelo Melatti.
Neste primeiro dia, o evento teve duas palestras, seguidas pelas tratativas da tarde concentradas no Salão do Expositor, onde quem circulou pelo espaço com mais de 30 fornecedores encontrou soluções em matérias-primas, maquinário, embalagens e outros itens voltados ao segmento. Entre elas, a mineira Leagel, que foca seu estande nas novidades da linha zero açúcar e com base proteica, que vieram para ficar entre os consumidores. “São novas opções nessas categorias, cuja procura está muito alta por parte da indústria. Ainda estamos na fase de lançamento, mas vejo como forte tendência”, comentou o representante de vendas Fernando Jaworowski.
Empresa estreante na Jornada do Sorvete, a caxiense Goo.mo Sistemas trouxe exibe soluções como a balança automatizada. “Já participamos de outras feiras e estamos com grande expectativa. É um produto que casa bem com sorveterias por conta da pesagem para lojas com venda do produto por quilo e sorveterias”, disse o CEO da empresa, Pedro Alves. “Quando se fala em tecnologia, nos referimos também à redução de custos, que pode ser na redução da mão de obra, facilitando a operação do estabelecimento”.
Economia e comportamento do consumidor
A Jornada do Sorvete oportunizou ao público uma análise do cenário econômico e as perspectivas para o setor. Economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Giovani Baggio observou que a indústria de sorvetes convive com desafios impostos pela inflação global, juros elevados, aumento dos custos de energia, combustíveis e matérias-primas, além das incertezas fiscais e políticas no Brasil. Ao mesmo tempo, apontou fatores que sustentam uma perspectiva positiva para os próximos meses, como a desaceleração gradual da economia, o aumento da renda das famílias, os programas de estímulo ao consumo e uma safra agrícola favorável.
No contexto gaúcho, a avaliação foi de que o Estado ainda enfrenta reflexos das estiagens, enchentes e das dificuldades no comércio exterior, mas deve registrar crescimento em 2026 impulsionado principalmente pela agropecuária. A indústria também apresenta sinais de estabilização, embora siga enfrentando desafios como a alta dos custos de produção, a escassez de mão de obra qualificada e a baixa confiança dos empresários. Os dados mostram que o mercado de sorvetes mantém sua característica sazonal. No Rio Grande do Sul, o volume de vendas acumulado em 12 meses até maio de 2026 alcançou R$ 564,5 milhões, um crescimento de 0,8% em relação ao período anterior. A explanação também alertou para a necessidade de acompanhar a evolução dos preços de insumos estratégicos, como açúcar, leite e energia elétrica, fatores que impactam diretamente a competitividade das empresas.
Coube ao especialista em comportamento do consumidor Ronan Mairesse abordar a importância das relações humanas nos processos de venda. Na palestra “Psicologia da venda: como fazer o cliente comprar sem precisar ter que vender”, ele defendeu que o maior diferencial competitivo das empresas está na capacidade de compreender as pessoas e criar conexões verdadeiras com os clientes. Ao comparar o ambiente corporativo com exemplos do esporte, Mairesse destacou que emoções e comportamento influenciam diretamente a qualidade do atendimento, da liderança e das vendas. Segundo o profissional, a experiência oferecida ao consumidor precisa ser marcante a ponto de permanecer na memória, fortalecendo o vínculo com a marca e estimulando novas compras.
O palestrante também compartilhou orientações práticas para empresários, defendendo que uma estratégia consistente é mais importante do que resultados obtidos ao acaso. Ressaltou ainda que falhas, quando bem conduzidas, podem se transformar em oportunidades de fidelização e reforçou que a persuasão não está em convencer alguém a comprar, mas em transmitir confiança suficiente para que a decisão aconteça de forma natural.
O evento segue nesta sexta-feira, a partir das 9h. A programação começa com a mestre em Psicologia Social e Relações Interpessoais Cláudia Tondo, com o tema “Construindo um legado que sobrevive a gerações: o poder da governança”. Na sequência, o empreendedor e estrategista em inteligência artificial aplicada a pequenos negócios, Bruno Reinstein, aborda “IA: Como a tecnologia pode ajudar o setor de gelados comestíveis a vender mais. Para fechar o ciclo de palestras, o ex-jogador de futebol e comentarista esportivo, Rafael Sóbis, explana “Hoje não é sobre futebol. É sobre mentalidade”. O Salão do Expositor reabre às 13h.