Novos sabores, saúde e bem-estar marcam a temporada de calor nos sorvetes

Com a proximidade do verão e das temperaturas mais altas, o consumo de sorvete volta a crescer e esse movimento vem acompanhado por uma transformação profunda na indústria. As tendências apontam para um mercado cada vez mais inovador, diversificado e atento às novas demandas dos consumidores. A busca por opções que unem sabor, saúde e bem-estar impulsiona o desenvolvimento de receitas com ingredientes naturais, combinações inusitadas e apelos funcionais.

O clima intensifica o desejo por produtos refrescantes, mas o público atual quer mais do que apenas aliviar o calor: ele busca experiências de consumo alinhadas ao estilo de vida. “Isso explica o avanço de nichos como o sorvete sem açúcar, o sorvete proteico, as versões veganas e os sorvetes probióticos, categorias que crescem em ritmo acelerado no país e já são apostas estratégicas dos fabricantes”, afirma o presidente da Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis (Agagel), Marcelo Melatti.

Trata-se também do que é tendência no mundo inteiro. “A categoria de produtos funcionais, com apelo “clean label” e uso de ingredientes naturais, que conciliam prazer sensorial e responsabilidade nutricional, está em crescimento”, declara Jussânia Gnoatto, gerente de operações do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas, ao comentar sua participação na Feira de Anuga, na Alemanha, entre os dias 4 e 8 deste mês. Ela observa que esse movimento passa pela substituição da gordura hidrogenada e outros avanços que ganham espaço nas linhas de desenvolvimento. Entre eles, adoçantes naturais e fibras funcionais, que permitem reduzir açúcares mantendo corpo e dulçor equilibrado, e proteínas lácteas e vegetais, que ampliam o valor nutricional e posicionam os produtos no território dos alimentos funcionais. Da mesma forma, evidência aos estabilizantes e emulsificantes naturais, como gomas vegetais e derivados de algas, que garantem textura homogênea e resistência térmica; e ingredientes bioativos, como frutas antioxidantes, probióticos e extratos botânicos, que agregam benefícios à saúde e ampliam o diferencial competitivo. “Essas inovações refletem o novo papel do sorvete na alimentação contemporânea: um produto indulgente, mas alinhado à ciência e à responsabilidade alimentar. A aposta em formulações inteligentes e limpas coloca o setor em um novo patamar, no qual qualidade, tecnologia e bem-estar caminham lado a lado”, conclui Jussânia.

Para Eduardo Cipolli, mais conhecido como Edu do Canal Sorveteiro Raiz, a mudança de comportamento do consumidor, mais atento aos cuidados do corpo e da saúde, dita as regras. Ele avalia que sorvetes sem açúcar, proteicos e probióticos são um nicho para os fabricantes, considerando novos hábitos de jovens, adultos e idosos, independente dos objetivos de cada etapa da vida. “Nos nossos cursos, por exemplo, o sorvete zero açúcar é um dos tópicos que as pessoas mais procuram. Eu indico para todos os sorveteiros que tenham pelo menos uma opção zero açúcar, que é muito importante”, pontua.

Mas independente disso, a base precisa ser a qualidade. Ao citar as gelaterias como exemplo, que elevaram o padrão, Edu do Canal Sorveteiro Raiz afirma que a “a tendência é a gente transformar o nosso sorvete, deixar de ser uma simples sobremesa e passar a ser visto como um alimento, como um produto agregado. Quem conseguir fazer um bom produto vai sair na frente do mercado sem dúvida”.

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